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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Aves e Estádios

"As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá"... e ao que tudo indica, nem os estádios.

Enquanto os estádios europeus, com toda tecnologia de ponta e rapidez na obra, têm preços de estádio, os nossos têm preço de... não sei.

Um estádio construído na Alemanha e inaugurado mês passado, com capacidade para 34 mil torcedores, custou cerca de R$ 140 milhões. O Allianz Arena, para 69 mil torcedores, ultra high-tech, ficou em  340 milhões (cerca de R$ 763 milhões, pela cotação de hoje), isso porque tem sete níveis, todos com centros comercais, além de um parque ecológico. Já o recente anunciado, o estimado Itaquerão, do Corinthians, tem orçamento inicial previsto para R$ 820 milhões. Inicial...

E o maracanã? As obras começaram com orçamento previsto de R$ 600 milhões, passou para R$ 1 bilhão (U-M B-I-L-H-Ã-O!!!), e agora fizeram a caridade de revisar para R$ 932 milhões. Gentileza, não?

Bom, o trem-bala já está chegando em R$ 50 bilhões, né. Do que reclamar?

Sábado vai ter uma passeata com o tema Fora Ricardo Teixeira. Já tem site também. Nessa conta ele deve estar levando muito, mas infelizmente não está levando sozinho. E provavelmente não é quem mais está levando. Mas a homenagem é bastante merecida.

ADEMÁS

Coitado do Elano...


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Google e o Mercado de Noções

Imagine um diálogo assim entre duas pessoas que mal se conhecem: 
 - E ai, rapaz, tô sabendo que você tá curtindo búzios, tá fazendo engenharia e namora mó tribufu...
 - Quem te contou?! - Responde um incrédulo.
 - Ninguém. Eu comprei seus dados.

É um exagero, mas o que o google tá fazendo dessa vez é quase isso. Se ainda existisse orkut, alguém criaria a comunidade "o google me vendeu e não me avisou".

A proposta do site de buscas - além de dominar o mundo - é criar uma plataforma para que provedores vendam informações de usuários aos interessados em fazer publicidade direcionada. Uma espécie de bolsa de valores da vida privada.





Infelizmente é ao mercado que dão essas informações. Num mundo colorido e sem fome as informações seriam base de estudo para antropólogos. (Se bem que pra quê?, se esses estudos acabam virando base também para a publicidade de qualquer jeito.)

Enquanto esse mercado de "noções" continua a mil, cada vez arrecadando mais investidores, o silêncio e as piadas acabam sendo a saída natural de quase todos. 




E seguindo a onda...


Fiquemos com os pequenos vídeos que não mudam nada mas dizem alguma coisa. (E continuemos com esse riso de canto de boca que diz "eu sei o plano de vocês...", mas que também não muda nada).



p.s.: Perdão pelo exagero na quantidade de vídeos, mas acho os três muito bons.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Em ritmo de cinema


A maioria dos filmes são produzidos em uma data e demoram algum tempo para serem distribuídos e chegarem às salas de cinema. É uma coisa natural do mercado cinematográfico. Porém quando a gravação de imagens atende a outro mercado de comunicação, no caso a imprensa, que depende de agilidade e que denuncia, a demora em veicular algo é o oposto à forma natural de trabalhar.

Descobriram que o ministro dos transportes, Alfredo Nascimento, estava metido em muita coisa, publicaram e ele caiu.

Só um detalhe, estamos em julho de 2011. Algo que possa ser chamado de descoberta tem, no mínimo, que ser recente. O vídeo que acabou com as esperanças de Nascimento em manter o cargo foi gravado em 24 de junho de 2009.

A Istoé descobriu o vídeo? Acho que não. Sem tirar o mérito da revista, que fez um trabalho de apuração bem maior em cima da gravação, mas as imagens foram feitas há dois anos. Ou seja, alguém estava com isso guardado em alguma gaveta há bastante tempo. Qual foi o motivo que fez esse alguém tirar o vídeo de onde estava guardado é o que ninguém vai publicar.

E não é o primeiro. Volta e meia, quando uma crise começa a apimentar, surge um vídeo mostrando as transações ilegais. Quem é o cara (ou, mais provavelmente, os caras) que filma tudo em Brasília? Esses provavelmente a gente não vai saber os nomes...

PEGADINHA

Hoje o Sarney começou a coluna que escreve na Folha de um jeito que deu um brilho de esperança, mas logo depois apagou. Assim:

"Dizia o rei Salomão que há no mundo tempo para tudo. Há tempo de começar, há tempo de parar. Cheguei a esse dilema e não foi fácil a decisão."

Entre o fim desse parágrafo e o início do outro veio um comichão de esperança. "Será que ele vai dar um furo de reportagem em todo mundo, até em seus colegas de congresso, e vai anunciar a aposentadoria pela coluna?!", sonhei. Doce ilusão. A única coisa que terminou foi a própria coluna.

Pegadinha do  malandro...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Restaurante Termas

Ele já disse que vai rever a conduta, pediu desculpas aos bombeiros e está pianinho agora, mas nem tudo é assim tão simples...

Nos últimos episódios deu pra ver muita coisa da administração de Sérgio Cabral que não costumam aparecer facilmente. Quase R$ 80 milhões em isenção para o Eike, R$ 1 bilhão em isenção para a Michellin - que dera R$ 200 mil para a campanha do governador - e mais R$ 1 bilhão em obras - não em isenção - para a Delta. E por ai vai.

O jogo de grandes empresários é uma velha história da política brasileira, infelizmente. Políticos levam o seu quinhão e distribuem o bolo conforme a música do baile. Até ai, nada novo.


O diferencial do rapaz que comanda o Rio de Janeiro atualmente foi - aparentemente é novidade, mas nunca se sabe...- dar incentivo fiscal a duas termas. (Deixemos os cabeleireiros de lado por hora).

A Termas Monte Carlo ganhou desconto de R$ 109 mil e a Solarium de R$ 316 mil. Apesar do termo enfadonho, todos sabem o que as "termas" significam na verdade. E o governador resolveu fazer uma piadinha com o povo brasileiro, encaixou os estabelecimentos na área de "alimentação" para dar o incentivo. 

Não bastasse o salário aumentado e toda a paparicação (com tudo que isso inclui) dos empreiteiros, Cabral também aproveitou para comer de graça às custas do povo...